Bibliotecas em números

As bibliotecas que compõem a rede do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) atuam como pilares fundamentais para a preservação, organização e difusão do conhecimento no vasto campo da museologia e da cultura brasileira. O Ibram, enquanto autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, tem como missão fortalecer os museus, gerir suas unidades e valorizar o campo museal, garantindo o direito à memória, à diversidade e o acesso universal aos bens musealizados. As bibliotecas de museus, por sua vez, são unidades de informação especializadas que apoiam diretamente essas instituições no cumprimento de sua missão, oferecendo serviços bibliográficos dedicados.

 

Os acervos bibliográficos das bibliotecas do Ibram são extremamente especializados, com uma cobertura temática que abrange de forma abrangente a museologia e suas ramificações, o que é evidenciado pela matriz conspectus da Biblioteca Central, que contempla cerca de 176 assuntos diretamente ligados à área. Isso inclui temas como ciência do museu, filosofia e teoria da museologia, museografia, gestão de museus, documentação museológica, arquitetura de museus, e a coleção, exposição, conservação, preservação e restauração de objetos de museu. Além desses temas centrais, os acervos expandem-se para áreas correlatas, como gestão de patrimônios culturais, belas artes, literatura e retórica, história, geografia, paleontologia, arquitetura e urbanismo. A Rede de Bibliotecas do Ibram reflete essa especialização, com uma predominância de temas em História e Artes (47%), seguida por Arquitetura e Linguística (32%).

 

A especialização temática pode ser observada nos acervos de bibliotecas de museus específicos. Por exemplo, a Biblioteca do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) é especializada em artes plásticas dos séculos XIX e XX, museologia, arquitetura e história da arte. A Biblioteca do Museu Histórico Nacional (MHN), que unificou duas coleções iniciais (história universal e numismática), hoje preserva um acervo diversificado que inclui história geral, do Brasil e do Rio de Janeiro, arte decorativa, museologia, numismática, indumentária, filatelia, heráldica, genealogia e educação museal, com a criação de um Centro de Referência da Educação Museal em 2019. A Biblioteca do Museu Imperial (MI) foca na História do Brasil, com ênfase no período imperial, além de temas como história de Petrópolis, artes, ciências sociais, museologia e patrimônio cultural. A Biblioteca do Museu da Inconfidência se concentra em História, Arte, Literatura e Museologia, com destaque para a Inconfidência Mineira, o período colonial e questões regionais de Minas Gerais. Já a Biblioteca do Museu da República (MR) é especializada na História da República Brasileira, cobrindo também a memória institucional do museu e do Palácio do Catete, além de práticas museológicas como Biblioteconomia, Arquivologia e Conservação. O Museu Victor Meirelles concentra seu acervo em artes, arte-educação, arquitetura, patrimônio, museologia e conservação preventiva, buscando ser um centro de referência sobre a vida e obra de Victor Meirelles.

 

Em termos de quantitativos, a Rede de Bibliotecas do Ibram compreende 20 bibliotecas especializadas, sendo 19 de museus e a Biblioteca Central no Cedoc. Juntas, elas abrigam aproximadamente 300.000 itens bibliográficos. Para o projeto de implementação de um Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB) em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), foram listados 314.197 itens de 20 bibliotecas para migração. Foram migrados 221.819 itens (70%) para o Koha, criando a primeira versão da integração dos acervos bibliográficos no sistema Koha no âmbito da parceria com o IBICT. Espera-se chegar à totalidade da migração nos próximos anos a partir dos trabalhos técnicos geridos pelo próprio IBRAM.

 

A análise qualitativa desses acervos revela sua extrema importância para os museus e para a gestão da cultura no Brasil. Para os museus, as bibliotecas são unidades de informação cruciais que apoiam diretamente sua missão institucional, fornecendo subsídios para pesquisa, curadoria, educação e preservação do patrimônio. Elas constituem valiosas fontes de pesquisa especializada para acadêmicos, historiadores, curadores e o público em geral, complementando e enriquecendo as exposições dos museus e aprofundando a compreensão de história, arte e contextos culturais. Além disso, salvaguardam a memória técnica e histórica do próprio Ibram e de seus museus, incluindo materiais publicados antes da criação do instituto. A Biblioteca do MHN, por exemplo, possui obras raras tombadas pelo Iphan, que são um patrimônio histórico nacional.

 

No âmbito da gestão da cultura no Brasil, esses acervos e as iniciativas do Ibram contribuem para o fortalecimento da museologia brasileira. O Cedoc, com uma das maiores coleções de registros bibliográficos em museologia e áreas afetas no Brasil, é uma referência que promove estudos técnicos, científicos e políticas públicas. A criação da Rede de Bibliotecas do Ibram, instituída por meio da Resolução Normativa Ibram nº 1 de 2021, visa potencializar a expansão do acesso às informações existentes nessas bibliotecas e centros de documentação, integrando seus produtos, serviços e pessoal à comunidade científica. Projetos como o Cedoc Digital e a Plataforma Brasiliana Museus democratizam o acesso digital aos bens culturais musealizados.

 

As informações sobre os quantitativos do acervo são apresentadas nas tabelas abaixo.