Uma rede de bibliotecas representa um arranjo estabelecido entre duas ou mais bibliotecas e/ou outras organizações, cujo objetivo é disponibilizar uma vasta gama de materiais, informações e serviços a todos os usuários potenciais. A sua importância para as instituições participantes é notável, pois permite a potencialização da expansão do acesso à informação, fomentando a integração e articulação de produtos e serviços, além de promover a cooperação, o que, por sua vez, resulta na otimização de recursos e economia de esforços, evitando a duplicidade de acervos e atividades e elevando a eficiência no uso dos recursos. Essa colaboração é significativamente aprimorada por sistemas especializados e integrados de gestão de bibliotecas (SIGB), que, ao se comunicarem por meio de redes de computadores, elevam o compartilhamento de informações a um patamar superior.
A Rede de Bibliotecas do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), uma autarquia federal ligada ao Ministério da Cultura, foi formalmente instituída pela Resolução Normativa Ibram nº 1 de 2021, com a missão de fortalecer os museus e o campo museal, garantindo o direito à memória, à diversidade e o acesso universal aos bens musealizados. A rede é composta por 20 bibliotecas especializadas: 19 bibliotecas de museus e a Biblioteca Central, localizada no Centro de Documentação da Museologia (Cedoc), anteriormente conhecido como Centro Nacional de Estudos e Documentação da Museologia (Cenedom), na sede do Ibram em Brasília/DF. Conheça mais sobre os acervos na página Bibliotecas em números.
Os desafios técnicos para a criação e integração da rede são consideráveis, principalmente devido à heterogeneidade dos sistemas de gestão de acervos utilizados pelas bibliotecas. Embora cerca de 63% das bibliotecas de museus do IBRAM já utilizem algum tipo de software de gestão, as soluções empregadas variavam amplamente, desde planilhas em Excel e Access até sistemas mais complexos como Isis, Librathing, Informa, BDR-SQL Server, Personal Home Library (PHL) e, em alguns casos, o próprio Koha. A criação da rede visa superar essa diversidade, unificando a gestão sob o software livre Koha, que permite ser multi-biblioteca e centraliza a instalação, aliviando as equipes de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) dos museus. A migração de dados de sistemas que não utilizam o padrão MARC 21, ou a automação de acervos que não possuem sistema, exigiu estudos complexos e conversões de metadados, ou a preparação de planilhas para importação.
A implementação e consolidação dessa rede de bibliotecas trarão múltiplos e substanciais benefícios, vantagens e ganhos para a gestão cultural dos museus brasileiros:
Primeiramente, haverá uma significativa democratização e ampliação do acesso ao conhecimento. A rede tem como finalidade primordial potencializar a expansão do acesso às informações e acervos especializados. Com um catálogo online centralizado, previsto para integração na plataforma Brasiliana Museus, pesquisadores, estudantes e o público em geral terão acesso facilitado a um vasto “tesouro de conhecimento” sobre museologia, história, arte e patrimônio.
Em segundo lugar, a rede promoverá a otimização de recursos e a eficiência operacional. A adoção de um sistema integrado de gestão de bibliotecas (SIGB) como o Koha permite o compartilhamento de recursos, evita a duplicidade de esforços e de acervos, e centraliza a instalação do sistema, liberando as equipes de TIC dos museus para outras atividades. Isso resulta na modernização e padronização de procedimentos, utilizando padrões internacionais como MARC21.
Adicionalmente, a rede contribuirá para o fortalecimento da museologia brasileira e o apoio à pesquisa. As bibliotecas são unidades de informação cruciais que apoiam diretamente a missão institucional dos museus, fornecendo subsídios para pesquisa, curadoria, educação e preservação do patrimônio. O Cedoc, em particular, atua como referência em documentação e informação museológica, promovendo estudos técnicos, científicos e políticas públicas para o campo museal. A rede, como um todo, constitui uma valiosa fonte de pesquisa especializada para acadêmicos, historiadores, curadores e o público, complementando e enriquecendo as exposições dos museus.
A preservação e salvaguarda da memória são outros ganhos importantes. As bibliotecas salvaguardam a memória técnica e histórica do próprio Ibram e de seus museus, incluindo materiais publicados antes da criação do instituto. Por fim, a rede incentiva a cooperação e a articulação institucional. A criação da Rede de Bibliotecas do Ibram promove a colaboração e a união de esforços entre as bibliotecas de museus. Essa articulação e a conformidade com uma política de sistema garantem a integração, mantendo as particularidades de cada biblioteca.
Em síntese, a Rede de Bibliotecas do Ibram é muito mais do que um simples agrupamento de acervos; é um sistema dinâmico que, ao superar seus desafios técnicos, promove a interoperabilidade e a gestão do conhecimento, contribuindo fundamentalmente para a missão educacional e cultural dos museus e para o desenvolvimento e valorização da museologia brasileira como um todo.